quinta-feira, 19 de julho de 2012

Perder é ganhar por muito menos...

"Um dia um homem já de certa idade foi pegar um ônibus. Enquanto subia, um de seus sapatos escorregou do seu pé e caiu para o lado de fora. A porta se fechou e o ônibus partiu. Ao ver que seria impossível recuperar o pé de sapato perdido, o homem tranquilamente retirou o seu outro sapato e jogou-o pela janela."

Um rapaz no ônibus, vendo o que aconteceu perguntou:
- Notei que o senhor fez. Porque jogou fora o seu outro sapato?
O homem prontamente respondeu:
- De forma que quem encontrar seja capaz de usá-lo. Provavelmente apenas alguém necessitado dará importância a um sapato usado encontrado na rua. E de nada adiantará apenas um pé de sapato.
O homem mostrou ao jovem que não vale a pena agarrar-se a algo simplesmente por possuí-lo e nem porque você não deseja que outro o tenha.

Como o homem da história, nós temos que aprender a desprender. Alguma força decidiu que era hora daquele homem perder seu sapato. Perdemos coisa o tempo todo, inicialmente pode parecer injusto, mas essa perda acontece de modo que mudanças possam acontecer em nossas vidas, na maioria das vezes positivas.

Acumular posses não nos faz melhor e nem faz o mundo melhor. Todos tem que decidir constantemente se algumas coisas devem manter seu curso em nossa vida ou se estariam melhor com outros.

domingo, 1 de julho de 2012

Estranho jeito de amar...

"É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chopp é gelado. É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco de domingo, nas festas agendadas no calendário do de vez em quando.


Difícil é amar quando o outro desaba. Quando não acredita em mais nada. E entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza. E perde o charme. O prazo. A identidade. A coerência. O rebolado. Difícil amar quando o outro fica cada vez mais diferente do que habitualmente ele se mostra ou mais parecido com alguém que não aceitamos que ele esteja.



Difícil é permanecer ao seu lado quando parece que todos já foram embora. Quando as cortinas se abrem e ele não vê mais ninguém na platéia. Quando o seu pedido de ajuda, verbalizado ou não, exige que a gente saia do nosso egoísmo, do nosso sossego, da nossa rigidez, do nosso faz-de-conta, para caminhar humanamente ao seu encontro. Difícil é amar quem não está se amando.


Mas esse talvez seja, sim, o tempo em que o outro mais precisa se sentir amado. Eu não acredito na existência de botões, alavancas, recursos afins, que façam as dores mais abissais desaparecerem, nos tempos mais devastadores, por pura mágica. Mas eu acredito na fé, na vontade essencial de transformação, no gesto aliado à vontade, e, especialmente, no amor que recebemos, nas temporadas difíceis, de quem não desiste da gente."